A dependência de insumos do agronegócio e a crise do Coronavírus

A dependência de insumos do agronegócio e a crise do Coronavírus

Por Eduardo Azeredo – consultor técnico da Agrosuisse

Rio de Janeiro, 13 de maio de 2020.

O desenvolvimento do agronegócio brasileiro está diretamente relacionado ao uso de insumos agrícolas. Em relação à produção vegetal, os principais insumos utilizados são fertilizantes e agrotóxicos, mas os principais fornecedores desses insumos estão fora do território nacional.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que os principais fornecedores de fertilizantes para o Brasil em 2019 foram a Rússia, Canadá e China. Entre os principais nutrientes fornecidos, aquele que o Brasil mais importa é o Potássio, com importação de 97% do consumo brasileiro, seguido de nitrogênio (87%) e fósforo (83%) (Associação dos Misturadores de Adubo do Brasil, 2018).

Já em relação aos agrotóxicos, segundo dados da Secretaria de Comercio Exterior e dados do IBAMA, em 2018 os principais fornecedores foram os Estados Unidos, China e Índia. Os produtos importados utilizados no Brasil, correspondem a cerca de 60% do total utilizado nas lavouras.

Na crise sanitária da pandemia do Coronavírus que o planeta vive, o fornecimento desses insumos pode ser ameaçado devido às restrições relativas a sua produção (com fechamento ou diminuição do ritmo de produção de indústrias) e circulação impostas pelos governos.

Como forma de diminuir essa dependência, a agricultura deve ser cada vez mais, guiada pelos princípios da agroecologia que tem, como um de seus pilares, a promoção do desenvolvimento de insumos dentro de porteira, tais como: compostos orgânicos, bokashi, extratos vegetais, microrganismos eficientes, microrganismos entomopatogênicos, banco de sementes de adubo verde, entre outros.

Com isso, além da independência e diminuição dos riscos para o produtor, é possível proporcionar a sustentabilidade no campo.