Sociologia rural – agroecologia e produção orgânica

Sociologia rural – agroecologia e produção orgânica

Por Fabio Ramos – diretor técnico Instituto Brasil Orgânico e diretor da Agrosuisse

Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 2020

Os estudos da sociologia rural podem nos ajudar a entender a relação entre a produção de alimentos agroecológicos e orgânicos e o mercado consumidor. Esta relação, cada vez mais presente na sociedade, transpassa toda a cadeia agroalimentar e envolve diversos atores e diversos segmentos, formando uma grande teia de relações sociais.

As relações sociais entre atores da cadeia agroalimentar podem determinar a viabilidade ou não do negócio. Quando imaginamos as pontas dessa cadeia, ou seja, a produção e o consumidor do alimento, as quais são os atores fundamentais e essenciais, podemos ter a dimensão do volume de meios necessário para unir estas duas pontas.

Com exceção das relações diretas entre produtores e consumidores, como no caso das feiras livres, as demais relações são caracterizadas pelos produtores vendendo seus produtos para intermediários compradores (mercados de pequeno, médio, grande varejo; restaurantes e lojas, etc.), que vão ofertar os produtos aos consumidores finais. Neste contexto, as relações permeiam acordos, contratos, entregas, reposições, acertos e desacertos e, ao final, a utilidade dos negócios para ambas as partes. Quando uma das partes não se torna viável, a cadeia se rompe, gerando impactos negativos para o produtor e para o consumidor.

O vocábulo agroecologia nasceu na década de 1970 enquanto ciência multidisciplinar, com princípios aplicáveis na organização social, visando introdução e manutenção de novas formas de relacionamento da sociedade com a natureza.

A agroecologia propõe a integração dos conceitos das ciências naturais com os das ciência sociais, além da dimensão tecnológica baseada em conhecimentos tradicionais, cotidianos, pesquisas aplicadas e metodologias científicas. Essa ciência busca a sustentabilidade ecológica, econômica, social, cultural, política e ética.

O que a sociologia constata é que existe uma mudança no padrão de consumo, em resultado de questionamentos acerca dos modelos de produção de alimentos, bem como das relações entre os segmentos da cadeia agroalimentar.

Um caminho para que a relação seja mais justa é a integração dos princípios da agroecologia nas relações comerciais entre os produtores fornecedores e os consumidores. A partir desta aproximação é possível que os consumidores possam influenciar nas políticas comerciais adotadas pelo mercado comprador dos alimentos agroecológicos e orgânicos no sentido de ter relações mais justas entre as partes envolvidas na cadeia.

Os estudos demonstram que a dinâmica da cadeia agroalimentar se movimenta a partir das mudanças na demanda de consumo e que os atores envolvidos nos diversos segmentos precisam se adequar para construir uma cadeia de valor justa, transparente e que atenda os anseios dos principais atores de todo o processo, o produtor e o consumidor.